Doença de Newcastle impacta ações da MBRF e mercados financeiros

As ações da MBRF (MBRF3), proprietária das marcas Sadia e Perdigão, registraram uma queda de mais de 6% nesta quinta-feira, 22, devido à confirmação de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina, afetando a confiança nas exportações de carne de aves.

A queda das ações da MBRF e seu impacto no Ibovespa

No dia 22 de outubro de 2026, as a ações da MBRF (MBRF3), detentora das marcas Sadia e Perdigão, foram as que mais impactaram negativamente o Ibovespa, apresentando uma queda superior a 6%. Esse movimento está diretamente relacionado às preocupações sobre os efeitos do novo foco da doença de Newcastle nas exportações brasileiras de carne de aves.

A situação se agravou com a entrada em vigor de uma portaria do Ministério da Agricultura, que estabelece uma emergência zoossanitária em quatro municípios de Santa Catarina, após a confirmação da doença em uma granja de perus. As ações da MBRF caíam a R$ 17,61 enquanto o Ibovespa atingia 204.317 pontos.

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Medidas de emergência e seus efeitos regionais

A emergência zoossanitária, com validade de 60 dias, se aplica a Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, no oeste de Santa Catarina. O foco da doença de Newcastle foi identificado em uma criação comercial de aproximadamente 6 mil aves, levando ao fechamento do estabelecimento e à eliminação das aves contaminadas, além da imposição de restrições na movimentação de animais na área afetada.

Os impactos nas exportações são significativos, especialmente se as restrições forem prolongadas. Historicamente, durante um surto anterior da doença em julho de 2024, as exportações brasileiras de carne de frango sofreram uma queda de cerca de 100 mil toneladas no mês em que as limitações estiveram em vigor, embora tenha seguido uma rápida recuperação posteriormente.

Análises do JP Morgan e Itaú BBA sobre a situação

O banco JP Morgan previu que o impacto do novo foco da doença de Newcastle sobre as vendas da MBRF e da JBS deve ser limitado, a menos que surjam surtos de maior escala. Mesmo assim, observa-se que Santa Catarina representa entre 10% e 20% das exportações de carne de frango das duas companhias. O JP Morgan também destacou que as restrições sanitárias definidas por países importadores podem diminuir os efeitos comerciais, ao contrário de bloqueios nacionais.

Por outro lado, o Itaú BBA expressou preocupações quanto à pressão nas margens operacionais das empresas de frango nos próximos meses, especialmente com o aumento dos preços dos grãos usados na alimentação das aves. O cenário futuro, portanto, estará intimamente ligado à eficácia das medidas de controle sanitário e às decisões dos países importadores sobre as novas restrições nas compras de produtos avícolas brasileiros.