Os fluxos dos ETFs de bitcoin tiveram a maior correlação com as oscilações da criptomoeda em 2026, segundo estudo da consultoria Vault Capital. A análise comparou esses movimentos com fatores do mercado cripto e variáveis macroeconômicas.
O relatório examinou 186 pregões e 38 semanas, entre 5 de janeiro e 30 de setembro de 2026. A consultoria avaliou a relação entre compras e vendas nos fundos e o comportamento do preço do BTC.
O levantamento considerou os ETFs de bitcoin negociados nas bolsas dos Estados Unidos. A análise trata dos fluxos desses fundos e da cotação da criptomoeda ao longo dos nove primeiros meses de 2026.

Os dados também foram apresentados em meio à alta dos juros nos Estados Unidos e à valorização do bitcoin entre junho e setembro. A Vault Capital apontou a combinação de juros maiores e saídas de recursos dos ETFs como um risco para o quarto trimestre.
Fluxos dos ETFs acompanharam as oscilações semanais do bitcoin
Segundo a Vault Capital, 48% das variações semanais do bitcoin acompanharam as compras e vendas dos ETFs. Fatores próprios do mercado cripto responderam por 40% do movimento, enquanto variáveis macroeconômicas representaram 12%.
A consultoria observou que a frequência semanal da análise pode diluir o peso de oscilações intensas provocadas por dados macroeconômicos, como a divulgação da inflação dos Estados Unidos. Por isso, os percentuais descrevem a relação apurada ao longo das semanas, não o efeito isolado de cada anúncio.
Em média, a compra de mil bitcoins pelos fundos coincidiu com uma alta de aproximadamente 0,3% na cotação do BTC naquela semana. A Vault apresentou o resultado como uma associação entre os fluxos dos ETFs de bitcoin e o preço, sem afirmar que as compras, por si só, anteciparam a valorização.
Os meses em que as compras superaram as vendas nos ETFs também registraram alta do bitcoin, enquanto períodos de vendas líquidas coincidiram com queda. Felipe Mendes, head de Research da Vault, descreveu os fundos como um indicador diário da entrada ou saída de dinheiro do mercado em 2026, e não como um mecanismo que antecipava os preços.
Juros em alta não impediram a valorização do BTC, aponta estudo
Em setembro de 2026, o Federal Reserve (Fed) elevou os juros nos Estados Unidos pela primeira vez desde 2023. Apesar da decisão, o bitcoin manteve a valorização observada no período analisado pela consultoria.
Entre 30 de junho e 30 de setembro de 2026, o rendimento dos títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos subiu 0,85 ponto percentual. No mesmo intervalo, o bitcoin avançou 42,8%, segundo os dados citados pela Vault Capital.
Para o quarto trimestre de 2026, Marco Aurélio de Camargos, CIO da Vault, apontou que acompanhar quem compra e quem vende pode informar mais sobre o momento do mercado do que tentar prever a próxima decisão do Fed. A avaliação relaciona a leitura dos fluxos dos fundos à análise do bitcoin, sem descartar a relevância das decisões sobre juros.

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