Na TIM, fibra e B2B puxam crescimento no 2º tri enquanto o móvel perde fôlego

Crescimento da receita fixa e seu impacto no lucro

No segundo trimestre de 2026, a TIM reportou um significativo aumento de sua receita, principalmente impulsionada pelo setor de serviços fixos e pela segmentação B2B (business-to-business). O lucro líquido normalizado alcançou R$ 1,04 bilhão, representando uma elevação de 6,2% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior. No total do primeiro semestre, o lucro atingiu R$ 1,86 bilhão, o que marca um crescimento de 4% em relação ao período anterior.

Esses resultados refletem a estratégia da operadora de diversificar suas fontes de receita. Enquanto a área de telefonia móvel enfrenta um crescimento moderado, os negócios relacionados à fibra óptica e serviços para empresas têm se tornado fundamentais para o sustento das finanças da TIM, evidenciando uma mudança de foco no modelo de negócios da companhia.

Desempenho do segmento móvel e desafios enfrentados

No que diz respeito ao setor móvel, o cenário é mais desafiador. A receita do segmento, que representa uma parte significativa dos rendimentos gerais, avançou apenas 4,6%, totalizando R$ 6,37 bilhões. Este crescimento foi fortemente apoiado pelos serviços pós-pagos e por novas oportunidades de receita, tais como publicidade móvel e serviços de internet das coisas.

crescimento TIM 2º tri

A queda na receita pré-paga, que diminuiu em 6,9% e teve uma redução na base de clientes de 8%, também contribuiu para esta origem de desafios. A TIM atribui essa performance negativa à intensa concorrência no mercado e à pressão sobre a regularidade das recargas, o que pode ter afetado a confiança dos consumidores nessa modalidade de serviços.

Análise do Ebitda e sua evolução no período

O Ebitda normalizado da TIM, um indicador importante que mede a geração de caixa operacional e exclui eventos não recorrentes, alcançou R$ 3,59 bilhões entre abril e junho de 2026, refletindo um aumento de 7% em comparação ao mesmo trimestre do ano passado. A margem Ebitda, por sua vez, subiu de 50,8% para 51,5%, um acréscimo de 0,7 ponto percentual, destacando a eficiência operacional da empresa durante o período.

Por outro lado, o Ebitda após arrendamentos, que a TIM denomina de Ebitda-AL, apresentou um avanço de 7,8%, atingindo R$ 2,8 bilhões, com a margem crescendo de 39,4% para 40,2%. Este desempenho positivo do Ebitda é um sinal claro da capacidade da TIM de otimizar seus custos e operações em um ambiente desafiador.

Fatores que impulsionam a receita da TIM

A receita líquida da TIM atingiu R$ 6,97 bilhões no segundo trimestre, um aumento de 5,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com a receita de serviços subindo 5,7%, totalizando R$ 6,79 bilhões. Este aumento é impulsionado principalmente pelos serviços pós-pagos e a inovação nas ofertas de produtos.

Em particular, no setor pós-pago, a receita subiu 5,8%, com uma base de clientes crescendo 6,8%, alcançando 33,7 milhões de acessos. O segmento pós-pago agora corresponde a cerca de 70% da receita total de serviços móveis. O ARPU (receita média por usuário) móvel também demonstrou uma boa evolução, atingindo R$ 34,30, um crescimento de 5% na comparação anual.

O avanço da fibra e a estratégia B2B da TIM

A receita relacionada a serviços fixos cresceu extraordinários 27%, alcançando R$ 416 milhões. Isso é um reflexo direto do aumento das assinaturas da TIM Ultrafibra e da contribuição da V8.Tech, uma empresa adquirida que foca em soluções digitais e inteligência artificial, integrada à estratégia B2B da TIM. Em termos específicos, a receita da fibra cresceu 9,5%, totalizando R$ 247 milhões. A base de clientes para a operação de fibra também apresentou um crescimento significativo, subindo 12,5% e alcançando 899 mil acessos. O ARPU da divisão de FTTH (fiber-to-the-home) foi de R$ 92,80, um aumento de 0,8%.

Além disso, as receitas provenientes de plataformas direcionadas aos clientes, na maioria provenientes de atividades como publicidade móvel, mais que dobraram, com um impressionante aumento de 117,3%, atingindo R$ 63 milhões. Esse crescimento foi apoiado pelo segmento B2B e pelas iniciativas em internet das coisas, que visam atender a diversidade de demandas do mercado.

Custo operacional e sua relação com a receita

Os custos e despesas operacionais normalizados da TIM totalizaram R$ 3,38 bilhões, uma elevação de 4%. É importante ressaltar que esse aumento foi contido, especialmente quando comparado ao crescimento de 5,5% da receita líquida, o que foi fundamental para a expansão da margem operacional. Essa sinergia entre o controle de custos e o incremento da receita mostra a estratégia eficaz adotada pela empresa.

Em detalhes, os gastos com pessoal cresceram 7,3%, e as despesas gerais e administrativas apresentaram um aumento de 10,5%. Já os custos de rede e interconexão subiram 3,2%, enquanto as despesas com comercialização tiveram um aumento mais modesto, de 1,2%. Por outro lado, a provisão para devedores duvidosos teve um crescimento expressivo de 38,1%, totalizando R$ 264 milhões, o que foi atribuído a uma situação única relacionada a um cliente no segmento B2B e ao crescimento da base pós-paga da operadora.

Resultados financeiros: uma visão crítica

O resultado financeiro da TIM mostrou uma deterioração significativa, com um montante negativo de R$ 569 milhões, um aumento de 51,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, que registrou um resultado negativo de R$ 375 milhões. Essa deterioração da performance financeira foi justificada pela TIM pela reversão de contingência de R$ 119 milhões ocorrida anteriormente e pelas condições mais favoráveis do fundo 5G no ano passado. No período atual, houve um aumento nas despesas com juros sobre arrendamentos, além dos impactos da consolidação da I-Systems.

Investimentos da TIM e suas consequências

A TIM investiu R$ 935 milhões no segundo trimestre, apresentando um aumento de 6% em relação ao ano passado. Essa quantia reflete o compromisso da operadora com a expansão de sua infraestrutura e a atualização de tecnologia, além de desenvolver novas soluções que acompanhem a evolução do mercado.

O fluxo de caixa operacional da empresa, calculado pela TIM como Ebitda-AL menos os investimentos, também registrou um crescimento de 8,7%, totalizando R$ 1,87 bilhão. O fluxo de caixa operacional livre cresceu 10,1%, atingindo R$ 1,24 bilhão. Apesar desses resultados positivos, o fluxo de caixa operacional foi parcialmente restringido por um aumento nos pagamentos de impostos e arrendamentos, embora tenha recebido um impulso positivo proveniente da melhoria nas contas a receber e do capital de giro.

O cenário de competição no mercado de telecomunicações

O setor de telecomunicações é marcado por uma concorrência intensa, com as empresas constantemente lançando novas ofertas e promoções para atrair e reter clientes. A TIM, ciente dos desafios trazidos pela competitividade, tem redirecionado seus esforços para os segmentos que mostram maior potencial de crescimento, como os serviços de fibra e B2B, além da digitalização de processos para oferecer uma melhor experiência ao cliente. O foco na inovação e na tecnologia também é vital para manter a relevância e a competitividade no mercado.

Perspectivas futuras para a TIM no mercado

O futuro da TIM se apresenta promissor, pois a empresa parece bem posicionada para lidar com as mudanças do mercado e as novas demandas de seus clientes, especialmente no setor de fibra e no segmento B2B. O crescimento contínuo das receitas e a expansão da base de clientes são indicadores animadores. Contudo, a operadora precisará continuar investindo em inovação e na otimização de suas operações para sustentar o crescimento e melhorar seu desempenho no altamente competitivo setor de telecomunicações. A adaptação às novas realidades e tendências do mercado com agilidade será um fator chave para o sucesso da TIM nos próximos anos.