Custo da dívida pesa no 2º tri da Isa, mas novos projetos trazem primeiros ganhos

Análise do Impacto do Custo da Dívida

No segundo trimestre de 2026, a ISA Energia Brasil (ISAE4) reportou uma diminuição de 32% em seu lucro líquido, caindo para R$ 173,9 milhões, comparado aos R$ 255,6 milhões do ano anterior. Esse declínio é atribuído principalmente a um expressivo aumento de 81,7% na despesa financeira líquida, que alcançou R$ 638,9 milhões. Tal incremento resultou do ciclo de investimentos que a empresa está realizando utilizando capital de dívida, ainda sem a conversão total em receitas.

O presidente da empresa, Rui Chammas, destacou que esses gastos financeiros se devem a investimentos que, embora ainda não tenham refletido em receitas concretas, prometem se materializar no futuro, gerando retorno.

Desempenho Financeiro no 2º Trimestre

A empresa também observou uma variação monetária que mais que dobrou, totalizando R$ 281,9 milhões. Essa correção contábil, que eleva o saldo devedor com a inflação, foi impulsionada pela maior incidência de dívida atrelada ao IPCA, crescendo de 56% no 2T25 para 67% no 2T26. Além disso, os encargos sobre empréstimos subiram 21,9%, somando R$ 397,2 milhões, refletindo um saldo médio de dívidas superior nos últimos doze meses para suportar o crescimento da companhia.

Custo da dívida

Comparativo com Resultados Anteriores

Quando analisamos a base de comparação, observamos que o desempenho do ano anterior incluiu receitas financeiras extraordinárias de aproximadamente R$ 50 milhões. Essas receitas se ligam à atualização de créditos tributários e não foram replicadas neste trimestre, o que contribui para a queda no lucro.

Em junho, a dívida líquida da empresa estava em R$ 16,3 bilhões, demonstrando uma alavancagem de 3,78 vezes, em comparação a 3,63 vezes no final de 2025.

Novos Projetos e Expectativas de Receita

A receita líquida atingiu R$ 1,24 bilhão, uma alta de 20,9% em relação ao 2T25, impulsionada pelo reajuste da Receita Anual Permitida (RAP) pela inflação e pela implementação de novos projetos.

O Ebitda apresentou um crescimento de 22,5%, atingindo R$ 966,9 milhões, e a margem aumentou em 1 ponto percentual, alcançando 77,8%. A receita líquida excluindo a RBSE, que se refere a ativos de transmissão mais antigos e cujo pagamento está sendo reduzido gradualmente, cresceu 52%, chegando a R$ 779,2 milhões, indicando um crescimento orgânico significativo.

Melhorias na Receita Anual Permitida

Esse crescimento é, em grande parte, impulsionado por novas energizações. Nos últimos doze meses, a ISA colocou em operação quatro projetos que totalizam cerca de R$ 488 milhões em RAP. Esses projetos foram energizados em diferentes momentos e ainda não contribuíram integralmente para um ano de receitas completas.

A energização do Projeto Jacarandá aconteceu em abril, e o último segmento do Piraquê foi ativado em junho, resultando em R$ 376,2 milhões adicionais de RAP para o ciclo 2026/2027.

Evolução do EBITDA e Margens de Lucro

A análise do Ebitda desvela um desempenho robusto, onde a margem de lucro reflete uma administração financeira eficaz em um cenário desafiador. A companhia, mesmo diante de um marco financeiro adverso devido às despesas com dívida, mostra resiliência através do crescimento contínuo da receita.

Despesas Financeiras e Aumento da Dívida

As despesas financeiras, embora desafiadoras, refletem investimentos em expansão. O compromisso da ISA com a modernização e gerenciamento eficiente sugere que essa situação é uma fase temporária até que os novos projetos se tornem sustentável e rentáveis. A variação monetária e o aumento das taxas de juros sobre empréstimos apenas destacam a importância da gestão proativa da dívida.

Projeções para 2028 e Ponto de Inflexão

A CFO da ISA, Silvia Wada, aponta que o ano de 2028 será crucial, pois será o momento em que a receita dos novos investimentos começará a compensar os encargos da dívida. A revisão tarifária da concessão paulista está prevista para esse ano e deve levar em conta um ciclo completo, beneficiando significativamente a empresa.

Além disso, a energização de dois grandes projetos, Serra Dourada e Itatiaia, deverá iniciar operações até março de 2029, podendo adicionar cerca de R$ 600 milhões de RAP ao ciclo de receitas da companhia.

Estratégias de CapEx e Investimentos

No segundo trimestre, o CapEx da empresa foi de R$ 1,05 bilhão, uma redução de 4,4% ano a ano, refletindo uma diminuição no número de projetos greenfield atualmente em andamento. Isso demonstra uma mudança estratégica da ISA, que se concentra agora em reforços e melhorias, os quais cresceram 17,4%, totalizando R$ 445,4 milhões.

Essa abordagem revela uma tendência de priorização de investimentos que geram retorno mais imediato, em vez de focar exclusivamente na aquisição de novos ativos.

O Futuro da ISA Energia e suas Oportunidades

A ISA Energia se encontra em uma trajetória de expansão mesmo diante de desafios financeiros. Suas iniciativas em novos projetos e o foco em melhorias operacionais indicam um futuro promissor. A adoção de uma política de dividendos consistente, conforme destacado por seus executivos, reflete a confiança na sustentabilidade financeira da empresa a longo prazo.

Em resumo, onde o custo da dívida representa um desafio no curto prazo, as perspectivas de crescimento e a implementação estratégica de projetos sugerem que a ISA Energia está bem posicionada para colher os frutos de suas iniciativas de investimento, resultando em uma trajetória financeira positiva nos próximos anos.