Uma pesquisa da XP Investimentos revelou que 95% das gestoras multimercados têm uma visão negativa sobre a economia brasileira, o maior pessimismo já registrado na série histórica.
O levantamento, realizado entre 26 e 30 de outubro, também apontou que pela primeira vez no ano, as posições vendidas em ações superaram as compradas, evidenciando a deterioração de expectativas após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
No contexto da pesquisa, somente 5% dos gestores se mostraram neutros, e nenhum deles formulou perspectivas positivas para a economia. Essa mudança significativa reflete uma queda acentuada no otimismo desde a pesquisa anterior, quando 20% tinham uma visão favorável.

Mudanças nas posições dos gestores multimercados
O pessimismo em relação à economia brasileira, conforme revela um levantamento da XP Investimentos, alcançou um nível recorde entre os gestores multimercados. Em novembro de 2026, 95% das 20 gestoras consultadas demonstraram uma visão negativa sobre o Brasil, um aumento significativo em comparação aos 55%% registrados na pesquisa anterior de setembro. Nenhuma das gestoras indicou uma perspectiva positiva para o futuro da economia, refletindo um cenário de desconfiança crescente entre os investidores.
Pela primeira vez neste ano, a pesquisa mostrou um inversão nas posições dos gestores em relação às ações brasileiras. Agora, 30% dos gestores estão apostando na queda do mercado acionário, enquanto apenas 25%% estão posicionados para a alta. Essa mudança é notável, considerando que, em setembro, a praticamente totalidade (cerca de 70%%) estava comprada em ações.
Impactos da reeleição na Bolsa brasileira
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida no dia 25 de outubro, gerou uma forte reprecificação dos ativos brasileiros, levando a um tombo considerável no mercado financeiro. No dia 26 de outubro, o Ibovespa despencou 13,9%, o dólar avançou 8%, e os juros futuros apresentaram uma elevação de mais de 250 pontos-base. Esse cenário provocou uma mudança nas apostas dos gestores, que se veem obrigados a reduzir a exposição ao que chamam de “kit Brasil”, que inclui ações e outras posições relacionadas à economia local.
As volatilidades observadas no mercado têm como base a incompatibilidade entre as expectativas dos investidores e os resultados da eleição, resultando em um ajuste drástico nos preços dos ativos. O movimento foi tão intenso que, em uma semana, o Ibovespa registrou uma queda acumulada de 18,12%. Desde o auge de 209.066,90 pontos, o lucro acumulado durante o ano caiu drasticamente, recuando para cerca de 4%.
Expectativas para inflação e juros
O pessimismo com a economia também afeta as expectativas de inflação e crescimento para o Brasil. A projeção de inflação para 2026 aumentou para 5,24%, enquanto a estimativa de crescimento do PIB foi revisada para 1,68%. Além disso, houve uma mudança significativa nas expectativas sobre a política monetária. Enquanto antes havia um consenso sobre a possibilidade de cortes na taxa Selic, agora 75% dos gestores acreditam que o Banco Central manterá a Selic em 13,75% nas próximas reuniões.
Essas alterações refletem uma mudança significativa de cenário, onde o otimismo deu lugar a uma postura mais cautelosa. Para o ano de 2027, os gestores ainda esperam taxas de juros mais baixos, mas a convicção em relação a esse afrouxamento perdeu força. Assim, o atual clima de pessimismo entre os gestores multimercados em relação ao Brasil reflete não apenas um momento político, mas também uma série de incertezas econômicas que marcam o futuro próximo do país.

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