O Citi revisou a recomendação das ações do Mercado Livre, subindo de ‘neutra’ para ‘compra’ devido à recente desvalorização dos papéis.
O banco estabeleceu um novo preço-alvo de US$ 2.050, representando uma valorização de 22,8% em relação ao preço anterior de US$ 1.668,72.
Apesar das preocupações com a concorrência e os investimentos necessários, a capacidade de crescimento da empresa foi destacada pelos analistas como ainda subestimada.

Avaliação das ações do Mercado Livre
No dia 27 de outubro de 2026, o Citi revisou sua recomendação para as ações do Mercado Livre (MELI), alterando de “neutra” para “compra”. Essa mudança ocorreu em função da desvalorização recente das ações, que deixou a empresa com uma avaliação mais atrativa. O preço-alvo estabelecido pela instituição financeira foi fixado em US$ 2.050, o que representa uma valorização potencial de 22,8% em relação ao valor de fechamento de US$ 1.668,72 no dia anterior.
Apesar da redução do preço-alvo, que anteriormente era de US$ 2.100, a análise do Citi indica que as preocupações com a concorrência e os investimentos necessários para expandir as operações já estão refletidos no valor das ações do Mercado Livre. Os analistas consideram que a habilidade de crescimento da empresa continua sendo subestimada pelo mercado.
Perspectivas de crescimento no Brasil
O Brasil é um mercado crucial nas projeções do Citi para o Mercado Livre. A instituição acredita que o valor bruto de mercadorias que serão comercializadas pela plataforma, conhecido como GMV (Gross Merchandise Volume), poderá aumentar em cerca de 30% até 2027, mesmo em um ambiente desafiador de taxas de juros elevadas e concorrência acirrada.
No entanto, para o terceiro trimestre, o Citi revisou a previsão de crescimento desse indicador, diminuindo de 37,5% para 36%. Essa revisão foi feita após uma análise de dados que mostrou um número de usuários ativos diários abaixo do esperado, mas o banco não vê essa situação como uma mudança estrutural nas perspectivas de crescimento do Mercado Livre.
Os analistas do Citi têm confiança de que a empresa continuará a ganhar participação de mercado no comércio eletrônico, o que sustenta suas expectativas otimistas para o futuro.
Desafios e riscos da concorrência
Enquanto o crescimento do Mercado Livre parece promissor, os analistas identificam a concorrência como uma das principais preocupações. O Citi observa que a Shopee, uma plataforma rival, pode enfrentar desafios para crescer no Brasil devido aos altos juros, o que encarece o financiamento de operações. A Shopee, controlada pelo grupo Sea, tem distraído seus recursos para outros negócios, incluindo infraestrutura de computação em nuvem, o que pode limitar sua capacidade de expandir no comércio eletrôncio brasileiro.
O relatório do Citi sugere que a continuidade do aumento da participação de mercado do Mercado Livre e uma redução das preocupações com a concorrência podem resultar em uma recuperação das avaliações das ações.
Impacto do crédito na performance financeira
O Mercado Livre, embora tenha boas perspectivas de crescimento, também tem riscos associados ao seu negócio financeiro, especialmente devido à rápida expansão de sua carteira de crédito. A instituição passou a ter uma abordagem mais cautelosa na concessão de empréstimos pessoais, buscando preservar a qualidade da carteira de crédito em um cenário econômico incerto.
A análise destaca que o risco de crédito é uma preocupação significativa, monitorando indicadores como inadimplência e a disposição da empresa para assumir novos riscos. O Citi alerta que uma deterioração nas condições de crédito, potencialmente agravada por fatores econômicos ou políticos, poderia impactar negativamente os resultados financeiros e as operações da empresa.
Além disso, o banco identificou que uma desvalorização do real em relação ao dólar poderia reduzir substancialmente o lucro líquido estimado para 2027, ressaltando a complexidade das operações do Mercado Livre em um ambiente financeiro desafiador.

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