FIDC para todos? Fora do eixo Rio

Captação de recursos e concentração regional

Até setembro de 2026, os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs) captaram R$ 56 bilhões, consolidando-se como a segunda maior fonte de captação, atrás apenas da renda fixa. O patrimônio líquido totalizou R$ 819 bilhões, representando um aumento de 9% em relação ao ano anterior. O movimento de crescimento é evidente, com a quantidade de fundos ampliando de 3.785 para 4.270, o que equivale a um aumento de cerca de 13%.

No entanto, a concentração desse volume financeiro ocorre principalmente na região Sudeste, que abriga 74,1% do total analisado por um estudo do Grupo IOX. Dentre esses, São Paulo é o destaque, respondendo por 62,5% do volume total, seguido pelo Rio Grande do Sul com 9,8% e Pernambuco com 5,7%. Especialistas confirmam que essa concentração de recursos é influenciada pela maior parte da atividade econômica do Brasil estar localizada no Sudeste, o que, em grande parte, justifica a maior parte dos recebíveis se concentrar nesta área.

Oportunidades para empresas fora dos grandes centros

Apesar da predominância dos FIDCs no Sudeste, existe um potencial significativo de crescimento fora dessa região. Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX, observa que as empresas localizadas em áreas menos centrais também apresentam bons fundamentos e capacidade operacional, mas historicamente têm se mostrado dependentes de relacionamentos com bancos locais. Jonatas Ortega, diretor do Grupo CVPAR, destaca a falta de conexão entre as origens do crédito e os investidores, afirmando que é preciso aproximar essas partes para que o crédito se torne acessível.

Marcelo Marques Pacheco, CEO da Yards Asset, reforça a ideia de que o fechamento de agências bancárias tem dificultado a relação entre instituições financeiras e pequenos negócios nas localidades. Esta lacuna pode ser preenchida pelos FIDCs, que se configuram como uma alternativa eficiente para crédito, especialmente em regiões onde a presença bancária foi reduzida. O diretor da SRM, Rafael Cunha Andrade, também menciona que em áreas onde as opções de crédito bancário são restritivas, os FIDCs se destacam como uma solução viável.

A importância do conhecimento local no crédito

Para que empresas de médio e pequeno porte acessem o mercado de capitais através dos FIDCs, é essencial que possuam recebíveis de qualidade e uma estrutura organizacional adequada. Daniel Castro, CEO da Inter Asset, observa que a necessidade de conhecimento da dinâmica local é crucial, especialmente em relação aos processos de cobrança e operação de crédito. Investir em diferentes regiões não deve ser visto com preconceito geográfico, e é fundamental que os gestores tenham clareza sobre para quem estão emprestando e o perfil de risco envolvido.

Ortega enfatiza que o crédito estruturado exige uma compreensão aprofundada dos devedores e das garantias envolvidas nas operações. Ele ressalta que a análise à distância, sem o conhecimento do mercado local, pode ser limitante. Por outro lado, Andrade argumenta que o avanço tecnológico e a utilização de dados para análise têm diminuído a barreira geográfica, permitindo que empresas de regiões mais afastadas possam acessar as mesmas estruturas competitivas que estão disponíveis para as localizadas nos grandes centros financeiros.