JPMorgan prevê que bitcoin vai render mais que ações e ouro, mas ainda evita o ativo

O JPMorgan, maior banco dos EUA, prevê que o bitcoin poderá ter um retorno médio anual superior ao das ações e do ouro nos próximos dez anos. No entanto, o banco também evita recomendar o ativo devido a correlações instáveis.

Projeções de retorno do bitcoin

O JPMorgan, um dos maiores bancos dos Estados Unidos, prevê que o bitcoin terá um retorno médio anualizado superior ao de ações, ouro e outros ativos nos próximos dez anos. Essa expectativa foi divulgada pela primeira vez na área de gestão da instituição, que incluiu estimativas de longo prazo para a criptomoeda em seu relatório anual.

No cenário base do banco, o bitcoin deve apresentar um retorno médio anual de 10%. Em um cenário pessimista, a expectativa é de uma queda de 11,2% ao ano, enquanto no cenário otimista, o aumento pode chegar a 16,6%. Essas projeções são fundamentadas em três principais fatores: a dinâmica de oferta da criptomoeda em relação à oferta monetária global, seu potencial de complementar o ouro em carteiras de investimento e a taxa de adoção da rede.

JPMorgan bitcoin

Para comparação, o JPMorgan estima um retorno anualizado de 7,5% para ações de grandes companhias dos EUA e de 5,5% para o ouro. Contudo, o banco ressalta que essa expectativa de rendimento não significa que o bitcoin seja a melhor opção de investimento para a próxima década, dado que os riscos associados a cada ativo são distintos.

Dificuldades na inclusão do bitcoin em carteiras

Apesar da perspectiva de ganhos superiores, o JPMorgan continua a considerar o bitcoin um ativo altamente especulativo. De acordo com a gestora de portfólio do banco, Sheena Shah, e o chefe de estratégia de ativos digitais, Dennis Cristallo, a inclusão da criptomoeda em carteiras para diversificação é desaconselhada devido às “correlações instáveis” que a criptomoeda apresenta.

Os especialistas afirmam que o bitcoin é amplamente negociado como um ativo de risco de “beta alto“, o que significa que é mais volátil e sensível às oscilações do mercado. Ele geralmente acompanha o crescimento da oferta monetária global, mas em determinados momentos também é visto como um “ouro digital“. Essas correlações instáveis representam um desafio para a modelagem financeira e dificultam previsões sobre o desempenho do bitcoin.

Além disso, o banco argumenta que um ativo que não é respaldado por fluxos de caixa, mas depende de fatores como adoção, regulação, liquidez e tecnologia, torna as análises ainda mais complicadas. As flutuações de correlações e a alta volatilidade limitam o uso do bitcoin nas alocações estratégicas de ativos no presente momento. Entretanto, o banco sugere que uma possível estabilização dessas correlações, aliada a uma redução na volatilidade, pode aumentar a utilidade do bitcoin como investimento institucional na futura alocação de ativos.

O JPMorgan enfatiza que, no atual cenário, exposições ao bitcoin devem ser rigorosamente analisadas, e carteiras com qualquer alocação nesse ativo devem passar por minuciosos testes de estresse, considerando tanto possíveis cenários de alta quanto de baixa.