A regulação brasileira não é boa, mas é melhor do que nada, diz empresário cripto

A visão do empresário sobre a regulação cripto

Rocelo Lopes, que é o CEO da Iniciativa Global de Stablecoins na Rezolve Pay, expressou sua opinião sobre a regulação dos criptoativos no Brasil. Embora ele critique a qualidade das normas existentes, considera que ter algum tipo de regulação é preferível a não ter nenhuma. Durante sua participação em um painel no São Paulo Innovation Week 2026, Lopes enfatizou a importância de um marco regulatório, destacando que o Brasil se encontra em uma posição favorável em relação a outros países no que diz respeito à infraestrutura e aceitação das moedas digitais.

O que a Lei nº 14.478/2022 representa para o Brasil

A publicação da Lei nº 14.478/2022 marcou um passo significativo para o reconhecimento formal dos criptoativos no Brasil. Essa legislação é vista como a primeira tentativa institucional de regular o ecossistema de moedas digitais, posicionando o país entre os líderes em tecnologia de pagamento. A nova lei estabelece diretrizes que buscam trazer mais segurança jurídica tanto para os usuários quanto para as empresas que operam nesse setor.

Por que a atualização das regras é necessária

Os desafios surgidos com a evolução acelerada das tecnologias de blockchain e das criptomoedas exigem que as regras sejam constantemente atualizadas. Rocelo Lopes ressaltou que as normas atuais, apesar de serem um avanço, ainda apresentam falhas, especialmente nas diretrizes referentes às stablecoins. Ele acredita que um ambiente regulatório dinâmico é crucial para permitir inovações e ao mesmo tempo proteger os investidores e usuários de potenciais fraudes ou abusos.

regulação cripto no Brasil

O impacto da regulação na adoção de criptomoedas

Regulações claras podem acelerar a adoção de criptomoedas, pois promovem uma maior confiança entre os consumidores e as empresas. Com um ambiente regulado, os usuários se sentem mais seguros em fazer transações e investimentos em criptoativos. Além disso, Lopes indica que a regulamentação pode facilitar a integração dos criptoativos com sistemas de pagamento convencionais, potencializando as oportunidades de uso cotidiano das criptomoedas.

Inovação tecnológica e a experiência do usuário

O empresário mencionou que tecnologias como blockchain têm o potencial de transformar a maneira como fazemos transações diárias. A inovação proporcionada por soluções como o Pix no Brasil mostra que é possível implementar pagamentos rápidos e seguros. Lopes destaca que a conexão dessas inovações com a regulamentação pode resultar em experiências de usuário muito mais satisfatórias e eficientes.

Desafios na regulamentação de stablecoins

As stablecoins, que são criptomoedas atreladas a ativos estáveis como o dólar, apresentam desafios regulatórios próprios. Lopes aponta que é necessário desenvolver uma abordagem equilibrada que não só proteja os usuários, mas também não iniba a inovação nesse setor. O reconhecimento da necessidade de regulamentação específica para stablecoins é um passo importante para a estabilidade do mercado.

As expectativas do setor com a regulamentação

A comunidade de criptoativos no Brasil tem expectativas positivas em relação à regulamentação promovida pelo Banco Central. Muitas empresas do setor consideram que a abertura do Banco Central para dialogar com o setor privado durante a elaboração das normas é um ponto positivo. Esse diálogo é fundamental para que as legislações sejam inclusivas e reflitam as necessidades reais dos usuários e empresas.

O papel do governo na regulação de criptoativos

O governo desempenha um papel crucial na formação de um ambiente regulatório que favoreça a inovação e a proteção do mercado. Durante o mesmo evento, Pedro Henrique Giocondo Guerra, chefe de gabinete da Vice-Presidência da República, enfatizou a importância de ter regras claras e bem elaboradas. Ele acredita que a qualidade da regulação deve prevalecer em relação à quantidade, pois normas bem redigidas ajudam a evitar mudanças frequentes que dificultam o planejamento de longo prazo das empresas.

Qualidade da regulação versus quantidade de regras

Guerra destacou que a eficiência de uma regulação não está necessariamente ligada ao número de normas criadas, mas sim à sua clareza e aplicabilidade. Ele argumentou que uma regulação bem estruturada pode oferecer uma base sólida para o crescimento do setor, enquanto um emaranhado de regras complexas pode causar confusão e incertezas. Essa visão alinha-se com a perspectiva do setor de que é fundamental haver uma base regulatória sólida para fomentar a confiança dos investidores.

O futuro das criptomoedas no Brasil

O cenário futuro para os criptoativos no Brasil parece promissor, considerando o andamento das regulamentações e o crescente interesse do público em geral. Lopes e Guerra concordam que a regulamentação adequada pode não apenas proteger os investidores, mas também estimular a inovação no setor. À medida que o Brasil avança na implementação de normas, a expectativa é de que o país mantenha sua posição como um dos líderes globais em tecnologia e inovação no desenvolvimento de moedas digitais.